Os descendentes do fundador da Rolex, Hans Wilsdorf, reuniram suas operações de investimento por meio da Perpetual, um family office com sede em Munique criado em 2015. A empresa administra ativos na casa dos bilhões de euros para cerca de 90 familiares, além de quase 100 investidores externos. A riqueza da própria família não é conhecida publicamente.
Os ativos financeiros da família são mantidos separadamente da Rolex por meio de várias fundações familiares. O modelo da Perpetual pretende preservar seu valor ao longo das gerações e, ao mesmo tempo, dar flexibilidade a cada parente para atender a diferentes necessidades financeiras. A empresa oferece cinco fundos: dois que investem em ações e títulos globais e três voltados a private equity, crédito privado e infraestrutura. Os fundos são os mesmos para todos os familiares, mas cada pessoa pode escolher sua própria alocação.
Os dois fundos tradicionais têm perfis de risco diferentes, com alocações em ações de cerca de 35% e 65%. Familiares que precisam ter acesso mais fácil ao dinheiro podem preferir as opções mais líquidas, enquanto aqueles com horizontes de investimento mais longos podem alocar uma parcela maior aos mercados privados. Desde 2023, os fundos da Perpetual voltados a mercados privados também estão disponíveis para investidores externos. O diretor-geral Kübel afirma que um investimento de pelo menos € 1 milhão faz sentido para novos investidores.
A abordagem da Perpetual se inspira no modelo de fundos patrimoniais usado por universidades dos EUA, como Yale e Harvard, cujos fundos de investimento buscam cobrir despesas contínuas e, ao mesmo tempo, manter o poder de compra para as gerações futuras. Cerca de 65% dos ativos administrados pela Perpetual estão investidos em seus três fundos de mercados privados. O diretor de investimentos, Christian Wiehenkamp, afirma que os investidores podem receber um prêmio de iliquidez em troca de abrir mão do acesso ao dinheiro em curto prazo.
Os fundos também incluem ativos menos convencionais. Os investimentos em crédito da Perpetual incluem leasing de aeronaves e direitos musicais, cujos royalties de streaming e execuções em rádios proporcionam renda recorrente. Os investimentos em infraestrutura incluem instalações de armazenamento refrigerado, ônibus usados em serviços de substituição ferroviária e um portfólio de helicópteros de resgate e combate a incêndios no sul da França e na Espanha, realizado por meio de um gestor externo.
A Perpetual conta com gestores externos para obter conhecimento especializado e acesso a investimentos específicos. Também procura diversificar considerando os riscos subjacentes de suas participações, em vez de depender apenas de categorias amplas de ativos. Por exemplo, investir em ações e conceder empréstimos a empresas semelhantes poderia expor dois fundos aos mesmos riscos empresariais.
No período de três anos descrito no relatório, o portfólio líquido com 65% em ações e 35% em títulos teve o melhor desempenho, com retorno anual de quase 15%. Wiehenkamp disse que esse resultado ficou muito acima de sua expectativa de longo prazo, de 7% ao ano. O fundo de crédito teve retorno anual de quase 10% no mesmo período, ligeiramente acima de sua meta e marginalmente superior ao de private equity. Ele alertou que resultados como esses exigem que os investidores suportem períodos de baixa, inclusive a possibilidade de uma queda anual de 20% no fundo misto voltado a ações.
Fontes: Handelsblatt.