O apoio financeiro para ajudar os países em desenvolvimento a se prepararem para os impactos climáticos está estagnado desde 2022, mesmo com o aumento dos riscos de eventos climáticos extremos, segundo um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O financiamento da adaptação continua muito abaixo dos valores de que os países precisam e das metas que os países ricos haviam prometido cumprir.
O relatório estima que 155 países em desenvolvimento precisarão de US$ 305 bilhões por ano até 2035 para se adaptarem a ondas de calor, incêndios, enchentes, tempestades, secas e à elevação do nível do mar. As medidas de adaptação incluem infraestrutura mais resistente, sistemas de alerta antecipado, proteção contra enchentes e sistemas de irrigação projetados para resistir à seca.
Os dados mais recentes disponíveis mostram que as transferências de países ricos para países mais pobres não ultrapassaram US$ 32 bilhões em 2024. Esse valor foi cerca de US$ 1 bilhão superior ao de 2023, mas ficou abaixo do pico de 2022. O relatório afirma que o montante também está aquém da meta de US$ 40 bilhões até 2025, embora parte da diferença possa ter sido coberta por bancos multilaterais de desenvolvimento no ano passado.
Nas negociações climáticas da COP30, em Belém, Brasil, os países ricos concordaram em triplicar o financiamento da adaptação para os países em desenvolvimento até 2035. Isso elevaria o apoio anual para entre US$ 85 bilhões e US$ 120 bilhões, mas ainda cobriria apenas de 20% a 29% das necessidades estimadas, afirmou o PNUMA.
A insuficiência é especialmente grave nos países menos desenvolvidos e nos pequenos Estados insulares, que enfrentam altos riscos climáticos e dispõem de menos recursos para fortalecer a infraestrutura. Eles precisam de um valor estimado entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões por ano para a adaptação, o equivalente a cerca de 3% a 4% de seu produto interno bruto. No entanto, o financiamento da adaptação destinado a eles em 2024 foi 16% inferior ao de 2022.
Um fundo separado para perdas e danos também está sob pressão. Em sua primeira rodada, 119 países em desenvolvimento solicitaram, juntos, US$ 2,8 bilhões, em comparação com o financiamento inicial de US$ 342 milhões. O relatório também observa que os custos dos empréstimos podem mais que dobrar os orçamentos dos projetos de adaptação, reforçando os apelos por doações ou empréstimos concessionais, em vez de financiamentos com juros elevados.
A diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen, afirmou que o aumento dos impactos climáticos tornou urgente o cumprimento dos compromissos de financiamento, descrevendo o financiamento da adaptação como um investimento em resiliência, segurança alimentar e proteção das comunidades que enfrentam os maiores riscos.
Fontes: The Guardian Business.