Os Republicanos perderam a maioria na Câmara dos Representantes dos EUA, segundo projeções divulgadas pela CNN e pela NBC News com base na apuração dos votos e em pesquisas com eleitores. Os Democratas estão prestes a assumir o controle da Casa, um revés para o presidente Donald Trump que provavelmente tornará mais difícil governar. O resultado no Senado permanece incerto, embora os democratas também tenham obtido ganhos iniciais nessa Casa.

O novo Congresso deverá se reunir em janeiro. Com o controle da Câmara, os democratas poderão abrir investigações sobre assuntos como as atividades comerciais da família Trump, a conduta de autoridades durante operações de fiscalização da imigração e os projetos de reforma e construção do presidente em Washington.

Os democratas também poderão bloquear projetos de lei republicanos na Câmara. Como os projetos precisam ser aprovados pelas duas Casas em versões idênticas, a mudança lhes dá poder de negociação sobre as prioridades legislativas do presidente, inclusive medidas orçamentárias. Divergências sobre o financiamento do governo podem levar a novas disputas orçamentárias e, se os parlamentares não chegarem a um acordo a tempo, a paralisações do governo.

No cenário mais grave, as investigações da Câmara poderiam fornecer motivos para um novo processo de impeachment. A Câmara pode abrir um processo de impeachment contra um presidente por maioria simples, mas afastar Trump do cargo exigiria pelo menos 67 votos no Senado, composto por 100 membros. Os democratas precisariam do apoio republicano para alcançar esse limite, mesmo que conquistassem uma pequena maioria no Senado. Trump foi absolvido nos dois julgamentos de impeachment instaurados contra ele durante seu primeiro mandato.

A derrota ocorre em um momento em que os índices de aprovação de Trump têm sido baixos. Uma pesquisa recente do New York Times e da Siena apontou que sua aprovação entre os eleitores registrados era de 34 por cento. As eleições de meio de mandato, realizadas no intervalo entre eleições presidenciais, costumam representar um revés para o partido do presidente em exercício; os republicanos também perderam o controle da Câmara durante o primeiro mandato de Trump, em 2018.

Trump não estava na cédula, mas tornou-se uma figura central na campanha republicana, viajando entre estados para mobilizar apoiadores. Entre as preocupações dos eleitores estavam o alto custo de vida e a alta dos preços dos combustíveis, que haviam aumentado depois que a guerra com o Irã começou no fim de fevereiro. O conflito, iniciado pelos Estados Unidos e por Israel, ainda não havia terminado oito meses depois, apesar das garantias iniciais de Trump de que a operação duraria apenas algumas semanas.

Fontes: Handelsblatt.